Domingo à tarde

Domingo à tarde tem, desde a sua sua génese o conceito de um trabalho de grupo, para não dizer o de um grupo. Neste sentido, Bruno Lopes, um dos fotógrafos que integra o grupo, consegue uma notável síntese das ideias partilhadas.

Domingo à tarde

“A apresentação da exposição “Domingo à tarde”, patente na CAT, de 9 a 21 de Julho, simboliza a primeira iniciativa pública do recém-formado colectivo Eyeyeye, composto por 6 fotógrafos e artistas que utilizam a fotografia como modo de expressão. São eles: Alexandre Vaz, Armando Ribeiro, Bruno Lopes, José Manuel Bacelar, Miguel Proença e São Trindade.

Tratando-se de um trabalho inaugural e de uma primeira experiência conjunta, “Domingo à Tarde” constitui-se como um teste, um exercício de avaliação, na procura de uma sintonia de esforços e de união harmoniosa entre diversas abordagens ao meio fotográfico, fomentando a constituição de um espaço informal de debate e troca de ideias entre filiações distintas. Incorporando esta vertente, o Eyeyeye poderá edificar-se, conforme o ensejo de cada um, como um campo de experimentação, livre de amarras ou figurinos canónicos – sejam eles quais forem -, sendo simultaneamente um escaparate para a divulgação de percursos individuais e continuidades dentro da fotografia.

Para este primeiro exercício conjunto elegeu-se o “Domingo à tarde” como base de trabalho comum, tema de largo espectro, necessariamente abrangente, capaz de aglutinar diferentes visões e abordagens, variadas formas de sentir e pensar fotograficamente. Ao mesmo tempo, um objecto transversal, provocatoriamente chão, parecendo contraverter a complexidade – amiudadas vezes postiça – de alguns pós-modernismos intrincados, e que, por isso mesmo, constitui um desafio.

Agregando o  compasso  da reunião  à  mesa  – local de partilha –, do  passeio inócuo, árido, da deambulação introspectiva, dos rituais privados, do onírico, do banal mas glorioso espírito “domingueiro”, o conjunto destes seis trabalhos, mostruário perspéctico da tarde de Domingo, desenha-se em ângulos potencialmente identitários.”

Texto manifesto de grupo por Bruno Lopes, 2006.

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