Árvores estranhadas

Este trabalho pretendeu criar imagens de árvores estranhadas, tornadas estranhas, recorrendo aos meios tradicionais da fotografia a preto e branco. Assim, é questionada a nossa relação colonizadora com a paisagem, onde, para simplificar a complexidade natural, impomos os nossos padrões, que contribuem para a criação de uma paisagem global, ou seja, uma não paisagem, ou um não lugar. Através do aparecimento gradual da sua sombra, a árvore é aqui reduzida a um objecto simplificado e manipulável, percurso que o trabalho segue, para acabar na manipulação máxima, ao inverter a sombra da árvore.

Durante este trabalho, foram utilizados inicialmente enquadramentos apertados e cortantes, para realçar por um lado a complexidade e a densidade da natureza e por outro, de forma implícita, a já referida relação colonizadora. Esta relação implícita passa a explícita com o aparecimento da sombra da árvore, símbolo gráfico facilmente manipulável.

A partir da introdução das sombras, a árvore passa a figurar como símbolo, parte integrante de um equilíbrio. Neste sentido, torna-se relevante relembrar que o conceito de equilíbrio contempla um estado ao mesmo tempo estável e alterável. A utilização da máquina fotográfica – descendente da camera obscura – para criar imagens que podem ser invertidas e continuar plausíveis contribui também para essa ideia de um equilíbrio instável mas reversível.

Muitas questões ficam em aberto, e caberá ao observador interessado encontrar o seu próprio percurso, através desta floresta “estranhada”.

Ficha do trabalho:
Título: Árvores Estranhadas, série de trabalho iniciado em 2005.
Provas: gelatina de sais de prata s/ papel c/ viragem a a selénio, 28cm x 28 cm

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