Luz da memória, vivência

Luz da memória, vivência é uma edição de imagens (c. 70) centrada nas vivências dos habitantes da Aldeia da Luz, captadas no início da década passada. Partilhar estes momentos extraordinários é a minha forma de devolver àquela/esta comunidade os ensinamentos que me proporcionaram, ensinamentos e reflexões que ainda hoje me iluminam e orientam o caminho de fotógrafo e de pessoa. Aqui fica o trabalho Luz da memória, vivência que integrou a exposição Aldeia Dupla no Museu da Luz.

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Medusa

Medusa foi apresentado pela primeira vez em 2010 com o nome Who’s a jellyfish em formato multimédia em Londres numa apresentação da ASA Collective. Nesta sua versão inicial, Medusa parte da ideia de uma alforreca, seguindo as correntes do mar e podendo apenas alimentar-se da comida contactada nessas trajectórias da água, serviu de conceito para a edição deste trabalho.

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Árvores estranhadas

Este trabalho pretendeu criar imagens de árvores estranhadas, tornadas estranhas, recorrendo aos meios tradicionais da fotografia a preto e branco. Assim, é questionada a nossa relação colonizadora com a paisagem, onde, para simplificar a complexidade natural, impomos os nossos padrões, que contribuem para a criação de uma paisagem global, ou seja, uma não paisagem, ou um não lugar. Através do aparecimento gradual da sua sombra, a árvore é aqui reduzida a um objecto simplificado e manipulável, percurso que o trabalho segue, para acabar na manipulação máxima, ao inverter a sombra da árvore.

Durante este trabalho, foram utilizados inicialmente enquadramentos apertados e cortantes, para realçar por um lado a complexidade e a densidade da natureza e por outro, de forma implícita, a já referida relação colonizadora. Esta relação implícita passa a explícita com o aparecimento da sombra da árvore, símbolo gráfico facilmente manipulável.

A partir da introdução das sombras, a árvore passa a figurar como símbolo, parte integrante de um equilíbrio. Neste sentido, torna-se relevante relembrar que o conceito de equilíbrio contempla um estado ao mesmo tempo estável e alterável. A utilização da máquina fotográfica – descendente da camera obscura – para criar imagens que podem ser invertidas e continuar plausíveis contribui também para essa ideia de um equilíbrio instável mas reversível.

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Terra Cinza multimedia

Terra cinza multimedia é o resultado de uma colaboração com base no trabalho fotográfico inicial. Armando Ribeiro, dos The Chroniclers re-editou o trabalho,Pedro Gomes Marques selecionou a música Giton’s theme de David Shea. O David contribuiu com a sua música para este trabalho multimédia. Ainda reconheço o trabalho fotográfico inicial, mas aqui as fotografias ganham outra dimensão, uma plasticidade e autonomia indescritíveis. Uma bela colaboração, muito obrigado !

Corta baralha e dá

Sobre corta baralha e dá, “Na galeria do 1º piso Miguel Proença preparou uma intervenção dupla associando a fotografia analógica à digital, sendo que a fotografia é área em que se tem distinguido como autor e investigador. Focando-se na peça de D. José I, Miguel Proença procura desconstruir o olhar “urbano” através das fotografias realizadas no Terreiro do Paço da estátua em bronze de D.José I reportando-se à peça em gesso a partir da qual foi fundida. Virtualmente coloca-a onde nunca poderia estar: na Sala dos Gessos, e como tal ela volta a dialogar com as outras esculturas numa relação de proximidade, através da malha de um tabuleiro de xadrez que evoca o chão bicolorido da sala. Trata-se de subverter a leitura desta obra magnífica de Machado de Castro e polémica ao tempo, pois extraordinário é também o gesso que lhe deu origem, assim como todo o trabalho de fundição”.

Do texto”Emergir”, sobre Corta baralha e dá, de Cristina Azevedo Tavares.

Ficha técnica

Projecto artístico de Maria Tomás e multimédia de Miguel Proença”, Novembro 2013. Casa dos Gessos, do Museu Militar de Lisboa. O trabalho de fotografia envolveu fotografia estereoscópica e está visível em Skenografia. Skenografia esteve exposta no Museu da Imagem e Movimento (m|i|mo (Museu da Imagem em Movimento – catálogo). O catálogo está disponível na página do trabalho.

 Provas:  c. 50×200 cm.

Skenografia 3d

O termo “Skenografia” refere-se a uma prática de pintura antiga. Da Grécia Antiga chegou-nos a ideia da escultura como possibilidade de representação, representação que no seu estado perfeito ganha vida, torna-se humana. Os Gregos também desenvolveram um sistema de re-apresentação, de tradução, das três dimensões em duas, na pintura de cenografia, designada “Skenografia”. Ao contrário da escultura, que podia aspirar a ser vida, a Skenografia no seu auge poderia ser considerada uma cópia, uma ilusão, uma mimése, sem possibilidade de humanidade. Para esta mostra proposta por António Guerra, pensei num trabalho que permitisse explorar a sugestiva e aberta ideia de ilusão no âmbito da fotografia. Recorrendo a métodos da fotografia do século XIX proponho assim fotografar possibilidades de perfeição (estátuas) e reapresentá-las de forma ilusória, em pares estereoscópicos.

É, de certa forma, um aprofundamento e uma continuação do trabalho Corta, baralha e dá, iniciado para a instalação Emergir – identity specific, com curadoria de Cristina Azevedo Tavares, na Casa dos Gessos do Museu Militar de Lisboa. Se nessa situação foi assumida a via da montagem fotográfica [a peça tem o nome “Corta, baralha e dá”], aqui a escolha foi de trilhar território estritamente fotográfico.

Acerca da exposição: In Ludo, curadoria de António Guerra no MiMo (Museu da Imagem em Movimento – catálogo), Leiria, Nov. 9 – Dez. 28,  2013. O catálogo está disponível em formato PDF, com textos do curador e dos artistas.
Fotografia e Escultura de João Daniel, Jorge Ricardo, Miguel Proença e Isabel Garcia.