A barricada fecha a rua mas abre o caminho

A BarricadaO Workshop A barricada fecha a rua mas abre o caminho, no âmbito do  projecto As Imagens da República, foi orientado pela dupla de fotógrafos José Nuno Lamas e Valter Ventura.  O conceito de “barricada” serviu de conceito orientador e de objecto de trabalho. Os participantes do workshop foram Bertílio Martins, Daniel Novais, Ilda Silvério, João Pedro Lomelino, Júlio Assis Ribeiro, Miguel Proença, Miguel Simões, Paula Ferro e Vasco Célio.

No final e em conjunto com todos os workshops realizados em todo o território nacional foi editado o catálogo. O projecto resultou de uma parceria institucional entre a Comissão para as Comemorações do Centenário da República e o Curso Superior de Fotografia do Instituto Politécnico de Tomar.

No âmbito do workshop de Faro, que teve sede na Casa das Artes de Tavira,  foi apresentada a  conferência A fotografia como limite de Nuno Faria, curador e professor de Artes Visuais na Universidade do Algarve.

“O grito “aux barricades!” despertava um fervor revolucionário nas ruas de Paris e era correspondido com o mesmo empenho pelas gerações de Julho de 1789 ou as de Maio de 1968.

A barricada e a República partilham uma história comum, umas vezes exaltada, outras inoportuna. Se em tempos romantizou os ideais de luta do povo contra a opressão e promovia os “mártires da pátria”, noutras era incómoda e lembrava o sangue que tinha sido derramado pelo novo homem que se queria civilizado e fraterno.

Interessa-nos a ideia de barricada. Enquanto símbolo, pela sua intervenção efémera no espaço público, enquanto acto espontâneo e colectivo. É uma muralha improvisada feita, regra geral, pela facção mais fraca para nivelar as hipóteses de sucesso. Dos seus dois lados opõem-se os que querem mudar contra os que querem continuar. É o lugar onde os corpos representam as ideias. É uma nova fronteira que aparece para cortar com clareza o lado de cá e o lado de lá.

Queremos, neste workshop, trabalhar num projecto colectivo seguindo os processos que utilizamos enquanto dupla: utilizar a fotografia como registo de uma acção que desaparece no espaço e se perde no tempo, bem como, construir uma determinada paisagem através dessa acção. Reflectir sobre a forma como a imagem da barricada tem sido repetida ao longo da história da pintura e da fotografia.

O projecto tem linhas orientadoras, mas no final dependerá do contributo dos participantes.”

 Valter Ventura e José Nuno Lamas